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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Mote: Vejo o espelho cruel da minha sorte / Refletindo a beleza do passado
Glosas de Aluisio Lopes - S. J. do Egito

Bem pequena, muito amada por meus pais
Não sabia o que era sofrimento
Encantada no meu próprio encantamento
Muito longe, bem distante dos meus ais
Sem saber que futuros carrascais
Chegariam, num ocaso inesperado
Num impasse se faria inaugurado
Sem aviso sem mostrar o passaporte
Vejo o espelho cruel da minha sorte
Refletindo a beleza do passado

Feito jovem, pele linda, tez nevada
Como a pura porcelana, a eleita!
Sublimar, belo lírio que enfeita
Todo campo, branca mesa entoalhada
De repente, mais que de repente em nada
Tudo, tudo, isso vejo transformado
Todo traço de beleza, ocultado
Minhas linhas, minhas curvas, são deporte
Vejo o espelho cruel da minha sorte
Refletindo a beleza do passado


Meus cabelos que pendiam belamente
Ralearam, não mais chegam à cintura
Meus catorze anos, de alma pura
Do pecado carnal, eu era ausente
Mas o dia D da dor se fez presente
Apossou-se, fez morada do meu lado
A alegria para sempre fez traslado
Lá bem longe foi morar, não sei seu norte
Vejo o espelho cruel da minha sorte
Refletindo a beleza do passado

Ao passar na vitrine, me espanto
Custo crer na figura projetada
Um espectro assustado sai do nada
Arrebata meu momento, desencanto
A tristeza se apodera, cai o pranto
Cubro o rosto pra não ver meu próprio estado
Lembro todos que roubaram meu primado
Olho em volta, a saída é só a morte
Vejo o espelho cruel da minha sorte
Refletindo a beleza do passado.

Fonte: http://leomedeirospoetapopular.blogspot.com.br/2012/05/o-espelho-cruel-da-minha-sorte.html

Há muito tempo nâo chove
(Padre Bras Ivan Costa - poeta egipciense)

Irmã seca injustiçada
Venho te pedir perdão,
Pelos golpes e insultos
E as culpas que te dão.
Dizem que és inclemente
Causticante,e renitente,
Isenta de piedade.
Doadora de subejos,
Madrasta dos sertanejos,
E mâe da calamidade.

És da fome promotora
Da sede fonte perene,
A maior acionista
Da indústria da Sudene.
Do desespero és a farra,
Inspiração da cigarra,
Patrocínio da discórdia.
Tu és causa de gemido.
Pra sertanejo ferido:
Tiro de misericórdia.

Mas na verdade irmã seca,
Tu não tens culpa de nada.
És bode espiatório,
De uma política safada.
Que diz que só faz o bem,
Roubando de quem não tem,
Depois usando teu nome.
Cria leis só para alguns,
Leis que enriquecem uns,
E matam muitos de fome.

Não irmã, tu não tens culpa
És um fator natural,
No meu nordeste tem seca
Mas é seca de moral.
Temos uma seca crítica
Mas é seca de política
Que almeje o bem comum.
E não nos dê duras penas
Mate de fome centenas
Para saciar só um.

Desculpe irmã seca insultos,
Acusas e maldições.
Protestos que tu recebes
Dos cariris aos sertões.
O desespero e a mágoa
Nâo são por falta de água
E pão que a todos comove.
É por que gente que sonha
E politico de vergonha
Há muito tempo nâo chove."

Brás Ivan Costa Santos

















Versos do padre poeta Bras Ivan Costa de São José do Egito


Deus num mistério indizível

Para nutrir os cristãos

Apesar dos meus deméritos

Faz uso de minhas mãos

E no Santo Sacramento

Faz do seu Filho alimento

Para eu dá-lo aos meus irmãos.

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Obrigado por que hoje acordei

Obrigado por tudo que vivi

Pelas mil emoções que eu senti

Nas três missas que hoje celebrei

Por irmãos e irmãs que encontrei

Pelo ar que por mim foi respirado

Obrigado pelo que tens me dado

Que recebo sem mesmo merecer


Pelo dom indízivel de viver


Obrigado meu Deus, muito obrigado.

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Tenho saudade de tudo
Até do que não vivi
Não tem quem conte a metade
Das saudades que senti
Talvez por ingênuidade
As vezes sinto saudade
Sem saber nem o motivo
Ela me nutre e completa
E como disse o poeta:
"É de saudade que vivo".


Cai chuva mansa, ameniza
As dores da estiagem
Vem, refresca e suavisa
Com tua doce bafagem
Recorda as minhas orelhas
Aquela orquestra nas telhas
Que só Deus sabe compor
Traz pro nosso povo alento
Muda a cor do sofrimento
Pro sertão mudar de cor.


E quando tudo parece
Perdido sem ter mais jeito
Resta o direito da prece
(Nosso divino direito)
Fale o que sente não cale
Pois essa vida só vale
Se vivida plenamente.
Deus já nos criou de Graça,
Não queiramos que Ele faça
Também a parte da gente.


O sapo afina a garganta 
No barreiro faz barulho 
A agua arrasta o basculho 
O pingo refresca a planta 
Uma novilha se espanta
Com o som que o trovão fez 
A miséria deixa a vez 
Pras alegrias da vida. 
A chuva cura as feridas 
Profundas que a seca fez.


Escondi minhas tristezas
As minhas magoas tambem
E nao contei a ninguem
Tuas muitas safadesas.
Hoje vivo pelas mesas
Dos bares do Pajeu
Me enganando com pitu
Pra ver se meu peito aguenta
"Pra tu ver bixa nojenta,
Qu'eu inda gosto de tu"


Aos poucos sinto a saudade
Se agasalhando em meu leito
Como um moleque traquino
Depois de tanto mal feito
Se deita e dorme sutil
Minha saudade dormiu
Na tipoia do meu peito.



Mote: Henrique Brandão (Parafraseando Dede Dedé Monteiro)
Glosas: Padre Brás Ivan Costa 

E Deus se compadecendo
Vendo seu povo sofrer
Manda seu sol se esconder
Vê-se o céu escurecendo
Vem uma nuvem chovendo
Da comporta da usina
Deus manda abrir a turbina
Que a seca tinha fechado
Pro sertão ficar molhado
DEPOIS QUE A SECA TERMINA.

Do sertão para o agreste
Dum tecido colorido
A chuva tece um vestido
E o corpo da terra veste
No céu um arco celeste
Fica enfeitando a cortina
Feita de véu e neblina
Que Deus quis dá de presente
Pra janela do poente

DEPOIS QUE A SECA TERMINA.
A água tange o basculho
No manso leito do rio
Que se encontrava vazio
Desde meiados de julho
Da mata vem o barulho
Do canto da sururina
Que não canta a trsite sina
De uma ave viúva
Mas, canta louvando a chuva
DEPOIS QUE A SECA TERMINA.

A telha deixa que molhe
A linha, o caibro e a ripa
O "empresário" do pipa
Os carros pipas recolhe
O gado faminto escolhe
O que comer na campina
Nem sequer olha pra tina
Onde só comia palma
O sertão muda de alma
DEPOIS QUE A SECA TERMINA.

A água corre barrenta
Pelos cantos do terreiro
E a copa do marmeleiro
Um verde brilhante ostenta
No nascente se apresenta
Uma torre pequenina
A chuva começa fina
Mas, aos pouquinhos engrossa
Começa a festa na roça
DEPOIS QUE A SECA TERMINA.

Brás Ivan Costa Santos

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O Tempo e a Seca - grande apresentação do grupo VATES E VIOLAS (filhos do poeta Zé de Cazuza, da Prata - PB)



Música: Clorofila

É lamentável o estado em que se encontra a poetisa meretriz, Severina Branca.
Vídeos produzidos por Vlademir Assis em Mundo Novo - São José do Egito-PE.









SEVERINA BRANCA: A POETISA DA EMBRIAGUÊZ


A situação de Severina Branca é a seguinte: quando ela bebia não faltava amigos para visitar, pedir para recitar poesias, faziam filmagem, davam dinheiro e abraços era o que não faltava. Agora está cega e sozinha, onde andam estas pessoas? ela agora precisa da visita desses desaparecidos mais do que nunca! Severina Branca vendia o corpo para sobreviver (era prostituta na famosa salgadeira de São José do Egito) e criar seus filhos, além de sustentar sua embriaguêz, seu vício...talvez uma das maiores poetisas do Pajeú...

Inda sinto o tremor das mãos sujas
Afagando o meu corpo pecador
Ao invés do prazer sentia dor
E no meu peito a voz dizendo fujas.
Entre as brechas das telhas as corujas
Agouravam as minhas desventuras
Eu gritava pra Deus lá nas alturas
Leve logo este ser que é tão sofrido
O silêncio da noite é quem tem sido
Testemunha das minhas amarguras.

Quantos homens chegavam embriagados
Dando chutes na porta como loucos
Os gentis para mim foram tão poucos
Eram seres tristonhos, reservados.
Eu perdi a noção dos meus pecados
Pela fome com facas de perjuras
Que cortava minha alma com agruras
E sangrava o meu peito já ferido
O silêncio da noite é quem tem sido
Testemunha das minhas amarguras.


Severina Branca, por Zeto.

Sou da casa em que de madrugada
A criança acalenta-se ao cio
E faz sombra com a luz de um pavio
Que tem fogo amarelo igual espada
A mulher nua e fria está deitada
Ao seu lado um parceiro de aventuras
Que lhe mente a tentar fazer ternuras
Traz na bota dinheiro escondido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras

Geralmente depois das oito horas
Tomo banho me arrumo no meu quarto
Para o salão toda enfeitada toda parto
Pra aceitar uns convites, e outros foras.
A cachaça e o fumo são escoras
Dando ao corpo alegrias e torturas
E as doses que eu tomo são tão puras
Que o ambiente se torna colorido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras

O pecado pra mim é testemunha
Pois ladeia o meu peito o tempo inteiro
Do primeiro ao último parceiro
Dou um nome diferente, faço alcunha.
O vermelho é perene em minha unha
Meu trabalho é melhor sendo às escuras
Sou alguém que procura umas procuras
Que navegam no rio do gemido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras.

Mas às vezes pra cama eu vou sozinha
Procurei muitos homens não achei
E aquele que eu mais acreditei
Deu-me um “seixo” e eu paguei o quarto à Dinha
Eu já sei que é tardia a ladainha
Parecido com um pingo em pedras duras
Sou irmã, pois, do canto das loucuras
E o meu peito é acorde do alarido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras

Poema transcrito do LP de Zeto – Andarilho
Pedro Torres




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