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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Causos de Cazuza Firmino, de Boi Velho, Paraíba.

Certa feita ele estava trabalhando para uma mulher chamada Adelaide, em Boi Velho, e ela ordenou que ele selasse um cavalo e fosse pegar uma novilha braba que estava no mato, coisa que ele jamais havia feito na vida.

Pensativo, vestiu os couros, montou no cavalo e saiu. Lá na frente, encontrou Zé de Cazuza. Zé ao vê-lo naqueles trajes estranhou:
- Oxente, que diabo é isso? Pra onde tu vais vestido desse jeito, Cazuza?
- Vou morrer, que eu nunca fui vaqueiro!

            ***********
Cazuza tinha acabado de se separar da mulher, com quem viveu pouquíssimo tempo, e um camarada pra mexer com ele perguntou:
- Cazuza, pra que deixaste uma mulher tão bonita?
Ele respondeu:
- Pra não ser corno como tu!

         ****************
Certa vez ia passando na frente da casa de um vaqueiro da Prata, e tinha uns pedreiros trabalhando na casa. Ele parou e ficou olhando, com dois mamões nas mãos.
Um dos pedreiros perguntou:
- Cazuza, pra que é esses mamões?
- Pra fazer um doce!
- Diz ao menos se Deus quiser!
- Pois ele vai ter que querer, pois já comprei até o açúcar!

Fonte: Cariri e Pajeú: Gente engraçada de lá (Joselito Nunes)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Antonio Vicente contando piada de Biu Doido.
Fonte: Bernardogarapa
BIU DOIDO
Um andarilho das ruas de São José do Egito,Severino Cassiano, conhecido de todos por Biu Doido e que na verdade não era sempre doido, tinha seus momentos de plena lucidez e era nesses momento que Biu se revelava com suas respostas inesperadas e que jamais alguém imaginaria que pudesse sair de sua boca. O poeta popular de São José do Egito, Arlindo Lopes, transformou algumas destas respostas geniais de Biu doido em poesia:
Certa vez Biu se apresentou
Surpreendendo os demais
Usando duas gravatas
Uma na frente e outra atrás
E dizendo achar pouco
Que se ele fosse louco
Usaria outras mais

Egito de Zé Clementino
Já foi falando sorrindo
Biu usou duas gravatas
Pensando ficar mais lindo.
Egito vou lhe dizer:
Fiz isso pra ninguém saber
Se tô chegando ou saindo

HISTÓRIAS DE BIU DOIDO

Dizem que um certo dia uma mulher ia passando em uma rua de São José, e Biu estava subindo em um poste e ela parou e perguntou a Biu:
- Biu! o que você está fazendo trepado no poste? e sem pausa Biu respondeu:
- Vou chupar manga!
E a mulher intrigada falou:
- Mas Biu, isso aí é um poste, não é um pé de manga não! Ligeiramente Biu disse:
- Mas a manga tá no meu bolso.

Mais uma história de Biu Doido contada em poesia pelo poeta popular Arlindo Lopes

Certa vez no Bar elite
A coca cola acabou
Zé do bar saiu atrás
Do Caminhão que passou
Andando mais na carreira
Descendo e subindo ladeira
Mas o carro não achou

Passou no bar Rangéu
E no bar de Tapioca
Na quitanda do Pedro
Na bodega de Roca
Com Biu se encontrou
E ligeiro perguntou:
- Tu visse o Carro de Coca?

Eu já vi carro virado
Carregado de pipoca
Carro batido e vendido
Na feira de troca-troca
Carro novo com defeito
Vi carro de todo jeito
Nunca vi carro de"coca


Certa vez Biu ganhou
Um relógio com defeito
Sem perder um segundo
Botou no braço direito
Desfilou pela cidade
Demonstrando a vaidade
Existente no seu peito

Um gaiato perguntou
A hora para ir pra casa
E biu disse-Tá quebrado
E O sujeiro mandou brasa
Seu relógio me espanta
Sendo assim não adianta
Biu Respondeu -Nem atrasa!

Certa vez em uma farra
Cercado por muita gente
Biu doido fazia rir
Aquele povo presente
Perguntei sem ironia
Plantou muita melancia?
Biu respondeu -Não só a semente

E ainda deu tapinha nas costas e disse: - Se plantar
a melancia ela apodrece!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

JOÃO BATISTA DE SIQUEIRA - CANCÃO

No dia 12 de maio do próximo ano, se vivo fosse, o poeta João Batista de Siqueira, conhecido como: Cancão, estaria completando exatamente cem anos. Justamente no mês das noivas, das novenas. Mês de Maria (a mãe de Jesus, o Sumo Bem), de quem Cancão era supremamente devoto.

Os sertões do Pajeú pernambucano e Cariri paraibano terão a oportunidade de celebrar o aniversário do seu particular Sumo Bem. Pois, como alguém já disse, caso existisse um Deus da poesia naquelas regiões, esse Deus teria nome e seria – Cancão, o Pássaro Poeta.

Não é pra menos, já que o Pajeú pernambucano e o Cariri paraibano contam com a magia do Pajeú, o rio feiticeiro e o garboso desfile da Serra da Borborema, com suas carregadas baterias (contrafortes), e a proteção parcimoniosa dos Deuses da poesia, que ecoa na ressonância das casas e taperas de seus habitantes.

Se a língua portuguesa nasceu do brado das largas discussões do crochê popular. Se a língua portuguesa nasceu da prática oral e não dos textos eruditos da Roma Imperial. Então, podemos tomar o Pajeú e Cariri como autênticos precussores da oralidade poética da nossa língua pátria/sertaneja, da nossa língua mãe, tendo o – Homem Pássaro como o nosso eterno interlocutor poético, comum aos dois gêneros.

João Batista de Siqueira foi um homem simples fora da medida. Um homem comum nos hábitos, no ritual da vida, na sucessão dos dias, no gestual, no vestir. Um homem do campo, um agricultor.

Começou tocando viola, para depois ver que não dava para o “serviço”, largando-a a posteriori para se valer de um bico de pena, de um lápis, de um pedaço de papel de balcão para escrever seus poemas, suas revelações para guardá-las dentro de uma caixa de sapatos.

Homem de choro frouxo, de sentimento exposto a toda prova. Afeito à natureza dos cactos, das macambiras, dos irmãos pássaros, à relva. Daí, fora um pulo para o fortalecimento de suas asas, até alçar voos de maior amplitude, mais rasantes, profundos, longínquos. Rápidos. Na demonstração de um poeta completo, de sentimento assombroso, iluminado.

Ésio Rafael - Poeta, escritor e pesquisador

NINHO ROUBADO

Aquela rolinha do meu sombrião
Sem o seu ninho seu primeiro leito
Já chorou tanto que feriu o peito
Sem saber dos filhos, do lugar que estão.

Percorre às vezes toda a vastidão
Volta de novo a reparar direito
De galho em galho a espreitar com jeito
Procura ainda, mas procura em vão.

Assim a pobre e infeliz rolinha
Levando as horas a gemer sozinha
Eriça as penas, depois as sacode.

Ela não chora porque não tem pranto
Se tivesse pranto choraria tanto
Mas sem ter pranto quer chorar não pode.

Outra excelente apresentação da poetisa Mariana Teles.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A poetisa Mariana Teles, filha do excepcional cantador, Valdir Teles, mostra toda a sua veia poética nesse recital.
Os cantadores Raimundo Caetano e Jonas Bezerra, cantando no mote: Eu estou desconfiado/Que Bin Laden não morreu